O câncer de mama se forma nas células dos seios e é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo. É uma doença multifatorial, genética (depende de lesão do DNA) e epigenética. No Brasil, há um crescimento de 25% no número de novos casos a cada ano e é a segunda causa de câncer no sexo feminino, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A doença também afeta homens, mas é raro: a incidência neste grupo representa apenas 1% do total de casos da doença.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estimam-se que 66,54 novos casos serão diagnosticados a cada 100 mil mulheres entre 2023 e 2025. Ou seja: é esperado o surgimento de mais de 73 mil casos no período.
Quais são os fatores de risco da doença?
Podem ser divididos em alto, moderado e risco levemente aumentado.
No alto risco destaca-se: mutação dos genes BRCA 1 e 2 em familiares de primeiro grau, radioterapia da parede torácica entre 10 e 30 anos e histórico prévio de câncer de mama ou ovário.
No moderado risco o histórico de atipias ductais e neoplasias lobulares.
E risco levemente aumentado cita-se menarca precoce e menopausa tardia e fatores possivelmente modificáveis como exposição a terapias hormonais, obesidade, tabagismo e ingestão de álcool.
Quando suspeitar e buscar confirmação diagnóstica em caráter de urgência?
- Qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos;
- Nódulo de mama palpável em mulheres com mais de 30 anos que persista por mais de um ciclo menstrual;
- Nódulo de mama de consistência endurecida e fixo, que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade;
- Saída de secreção sanguinolenta unilateral do mamilo;
- Lesões eczematosas da pele da mama que não respondem a tratamentos tópicos;
- Presença de linfonodo axilar palpável, de tamanho maior que o habitual;
- Aumento progressivo do tamanho da mama com vermelhidão ou pele espessada tipo casca de laranja;
- Retração da pele na mama;
- Mudança no formato da mama.
Como diagnosticar?
A mamografia é o principal exame para diagnosticar tumores pequenos antes que os sintomas apareçam reduzindo significativamente a mortalidade.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam a mamografia anual para as mulheres a partir de 40 anos de idade, visando o diagnóstico precoce e redução da mortalidade. Em mulheres com parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama antes de 45 anos ou história de câncer de mama bilateral ou câncer de ovário em qualquer idade se recomenda a mamografia e ressonância magnética anual a partir dos 30 anos ou 10 anos antes do caso de câncer na família porém nunca antes dos 25 anos.
E qual o papel da ultrassonografia das mamas?
O ultrassom das mamas é um exame complementar à mamografia. É um método não invasivo, indolor, que não emite radiação, de baixo custo, ampla disponibilidade e que também permite a orientação das biópsias. É um método operador-dependente, ou seja, o desempenho e experiência do médico que realiza o exame estão associados às maiores taxas de detecção.
A ultrassonografia das mamas está indicada para avaliar lesões palpáveis nas mamas ou axilas, complementar a avaliação de lesões apontadas pela mamografia e rastrear e diagnosticar precocemente câncer de mama principalmente em mulheres jovens ou com mamas densas.
É um exame que tem ajudado principalmente na evidenciação de nódulos quanto a sua natureza, se cístico, sólido ou tumor misto; quanto a sua morfologia e extensão e quanto a sua transmissão sonora e compressibilidade, avaliando também o sistema ductal, assim como as distorções do parênquima mamário.
O ultrassom de mamas é fundamental na elucidação dos achados inconclusivos detectados na mamografia assim como na avaliação de implantes de silicone, de mamas densas (avaliação radiológica limitada pela mamografia), na avaliação das mamas em gestantes e lactantes, na avaliação de traumas e processos inflamatórios como mastites, nas avaliações pré e pós-operatórias das mamas, em pacientes com fatores de risco para câncer de mama, para guiar procedimentos e acompanhar pacientes operadas ou em quimioterapia neoadjuvante. Ainda, estudos vêm mostrando que a associação da ultrassonografia à mamografia em mamas heterogêneas e jovens, aumenta a sensibilidade para detecção de lesões para 96%.
Conclusão
Apesar da mamografia ser o principal exame na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, a ultrassonografia desempenha um papel importante e complementar à mamografia, aumentando a sensibilidade de detecção de lesões principalmente em mamas heterogêneas e mulheres jovens.
Além disso, é importante para avaliação de outros tipos de lesões e para guiar procedimento e acompanhamento de pacientes já em tratamento do câncer de mama.
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