Descobrir que está esperando gêmeos costuma ser um momento de muita alegria e emoção. Ao mesmo tempo, surgem inúmeras dúvidas sobre os cuidados necessários durante a gestação.
Embora a maioria das gestações gemelares evolua de forma favorável, elas apresentam um risco maior de complicações quando comparadas às gestações únicas. Isso não significa que haverá problemas, mas que tanto a mãe quanto os bebês precisam de um acompanhamento mais cuidadoso para identificar precocemente possíveis alterações e definir a melhor conduta em cada fase da gravidez.
É justamente nesse contexto que a Medicina Fetal desempenha um papel fundamental.
Toda gestação gemelar é igual?
Não.
Um dos principais objetivos do ultrassom do primeiro trimestre é identificar quantas placentas e quantas bolsas amnióticas existem, informação conhecida como corionicidade e amnionicidade.
Essa avaliação deve ser realizada preferencialmente entre 11 semanas e 13 semanas e 6 dias, período em que sua determinação apresenta maior precisão.
As gestações gemelares podem ser classificadas em:
- Dicoriônicas: cada bebê possui sua própria placenta e sua própria bolsa amniótica.
- Monocoriônicas: os bebês compartilham a mesma placenta e podem ter uma ou duas bolsas amnióticas.
Essa informação é extremamente importante, pois influencia todo o planejamento da gestação, incluindo a frequência dos ultrassons, a necessidade de avaliações específicas, o risco de complicações exclusivas das gestações monocoriônicas e até mesmo a idade gestacional mais adequada para o parto.
Por esse motivo, a determinação da corionicidade é considerada uma das etapas mais importantes do acompanhamento de uma gestação gemelar.
Por que a gestação gemelar exige um acompanhamento diferenciado?
Mesmo quando evolui normalmente, a gravidez gemelar apresenta maior risco de algumas complicações, como:
- Parto prematuro;
- Pré-eclâmpsia;
- Diabetes gestacional;
- Restrição de crescimento fetal;
- Diferenças de crescimento entre os bebês;
- Alterações do funcionamento da placenta.
Além disso, o maior risco de parto prematuro faz com que a avaliação do comprimento do colo do útero seja uma importante ferramenta durante o acompanhamento, auxiliando na identificação de gestantes com maior risco de prematuridade.
Como a Medicina Fetal acompanha uma gestação gemelar?
O acompanhamento especializado vai muito além da realização de ultrassonografias.
O objetivo é avaliar continuamente o desenvolvimento de cada bebê, acompanhar o funcionamento da placenta, monitorar a circulação materna e fetal e identificar precocemente possíveis complicações.
Dependendo das características da gestação, esse acompanhamento pode incluir:
- rastreamento precoce de pré-eclâmpsia;
- ultrassonografia morfológica do primeiro e do segundo trimestre;
- avaliação transvaginal do comprimento do colo do útero, quando indicada;
- Doppler obstétrico;
- avaliação seriada do crescimento fetal;
- ecocardiografia fetal, quando indicada;
- avaliação do bem-estar fetal no terceiro trimestre.
Cada gestação recebe um planejamento individualizado, de acordo com suas características e fatores de risco.
Gestações monocoriônicas exigem um acompanhamento ainda mais rigoroso
Nas gestações monocoriônicas, os bebês compartilham a mesma placenta.
Essa característica favorece a existência de comunicações vasculares entre as circulações fetais e aumenta o risco de complicações que não ocorrem nas gestações dicoriônicas.
Entre elas estão:
- Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (TTTS);
- Restrição Seletiva de Crescimento Fetal (sFGR);
- Sequência Anemia-Policitemia (TAPS);
- Sequência TRAP, uma complicação rara das gestações monocoriônicas.
Por esse motivo, a International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG) recomenda que as gestações monocoriônicas diamnióticas sejam acompanhadas com ultrassonografias a cada duas semanas entre 16 e 24 semanas de gestação, período de maior risco para o desenvolvimento da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal.
Durante essas avaliações, além do crescimento fetal, da quantidade de líquido amniótico e do Doppler, a avaliação transvaginal do colo do útero pode fornecer informações importantes sobre o risco de parto prematuro e contribuir para um acompanhamento ainda mais individualizado.
Após esse período, a frequência das avaliações passa a ser definida de acordo com a evolução da gestação e a presença de possíveis complicações.
O objetivo desse acompanhamento não é apenas diagnosticar essas condições, mas identificá-las precocemente, permitindo definir a melhor conduta e melhorar significativamente o prognóstico da gestação.
O Doppler faz parte desse acompanhamento?
Sim.
O Doppler obstétrico é uma ferramenta indispensável na avaliação das gestações gemelares.
Por meio dele, é possível avaliar a circulação entre mãe, placenta e bebês, identificando precocemente alterações relacionadas ao funcionamento placentário e ao crescimento fetal.
Quando realizado por especialista em Medicina Fetal, o Doppler complementa a avaliação ultrassonográfica e auxilia na tomada de decisões durante toda a gestação.
O acompanhamento especializado traz mais segurança
Embora a gestação gemelar apresente riscos maiores quando comparada à gestação única, a maioria evolui de forma favorável quando acompanhada adequadamente.
O acompanhamento especializado permite identificar precocemente possíveis alterações, definir a frequência ideal das avaliações e oferecer um cuidado individualizado para cada gestação.
Na Afeto Maringá, acompanhamos gestações gemelares utilizando protocolos atualizados de Medicina Fetal e ultrassonografia especializada para monitorar o desenvolvimento dos bebês, avaliar o funcionamento da placenta e oferecer mais segurança para a mãe e seus filhos durante toda a gravidez.
Perguntas frequentes
Toda gravidez de gêmeos é considerada de alto risco?
Sim. Toda gestação gemelar necessita de acompanhamento mais cuidadoso. O risco, entretanto, varia conforme a corionicidade, a amnionicidade e a evolução da gravidez.
Como saber se os gêmeos compartilham a mesma placenta?
Essa avaliação é realizada preferencialmente no ultrassom do primeiro trimestre, entre 11 semanas e 13 semanas e 6 dias, quando é possível determinar com maior precisão a corionicidade.
A gestação gemelar precisa de mais ultrassons?
Sim. A frequência das avaliações é maior do que na gestação única e depende principalmente do tipo de gestação. Nas gestações monocoriônicas diamnióticas, a ISUOG recomenda acompanhamento ultrassonográfico quinzenal entre 16 e 24 semanas.
A medida do colo do útero é importante?
Sim. A avaliação do colo do útero auxilia na identificação do risco de parto prematuro e pode fazer parte do acompanhamento das gestações gemelares, especialmente quando existe indicação clínica.
Todas as gestantes de gêmeos precisam de Doppler?
O Doppler obstétrico faz parte do acompanhamento das gestações gemelares e é uma ferramenta importante para avaliar a circulação materna, placentária e fetal durante toda a gravidez.
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