Perder um bebê durante a gestação é uma das experiências mais difíceis que uma família pode enfrentar.
Além do luto, surgem dúvidas que frequentemente acompanham os pais por muito tempo: “Por que isso aconteceu?”, “Poderia ter sido evitado?”, “Existe o risco de acontecer novamente?”
Embora nem sempre seja possível encontrar uma resposta definitiva, uma investigação adequada pode esclarecer a causa em muitos casos e fornecer informações importantes para o planejamento de uma futura gestação.
O que é considerado óbito fetal?
Segundo o Ministério da Saúde, considera-se óbito fetal a morte do produto da concepção antes da expulsão ou da extração completa do corpo materno, com peso ao nascer igual ou superior a 500 gramas. Quando essa informação não está disponível, utiliza-se como critério a idade gestacional igual ou superior a 22 semanas. Na ausência dessas duas informações, considera-se o comprimento corporal igual ou superior a 25 cm.
Embora seja um evento relativamente raro, o óbito fetal exige uma investigação criteriosa para compreender os fatores que possam ter contribuído para sua ocorrência e orientar o planejamento de futuras gestações.
Por que investigar um óbito fetal?
A investigação não tem apenas o objetivo de compreender o que aconteceu.
Ela também pode identificar fatores de risco que orientam o acompanhamento de uma futura gestação, permitindo um planejamento individualizado e, quando possível, estratégias para reduzir o risco de recorrência.
Por esse motivo, o Ministério da Saúde recomenda que os óbitos fetais sejam investigados, sempre que possível, por uma equipe multiprofissional.
É possível descobrir a causa?
Em muitos casos, sim.
A possibilidade de identificar a causa depende da idade gestacional em que ocorreu o óbito, das informações disponíveis durante a gestação e dos exames realizados após o parto.
Quanto mais informações estiverem disponíveis, maiores serão as chances de compreender o que aconteceu.
Mesmo quando uma causa específica não é identificada, a investigação pode revelar fatores de risco importantes e auxiliar no planejamento da próxima gravidez.
Quais são as principais causas de óbito fetal?
O óbito fetal pode ocorrer por diferentes motivos e, muitas vezes, mais de um fator está envolvido.
Entre as principais causas estão:
- Alterações da placenta;
- Restrição de crescimento fetal;
- Pré-eclâmpsia e outras doenças hipertensivas da gestação;
- Diabetes materno mal controlado;
- Infecções congênitas;
- Malformações fetais;
- Alterações cromossômicas ou genéticas;
- Doenças maternas;
- Complicações relacionadas ao cordão umbilical, em situações específicas.
Em alguns casos, mesmo após uma investigação completa, a causa permanece indeterminada.
Como a investigação é realizada?
A investigação deve ser individualizada e baseada na história clínica de cada paciente.
Dependendo do caso, diferentes etapas podem fazer parte dessa avaliação.
Avaliação da placenta
A placenta é um dos principais “registros” da gestação.
Sua análise anatomopatológica pode identificar alterações vasculares, inflamatórias, infecciosas ou relacionadas ao funcionamento placentário, contribuindo para esclarecer a causa do óbito fetal.
Sempre que possível, a avaliação da placenta deve fazer parte da investigação.
Avaliação do bebê
Dependendo da situação, podem ser indicados exames para investigar alterações genéticas ou malformações fetais.
Entre eles estão:
- Cariótipo;
- Microarray cromossômico;
- Exoma.
Esses exames podem contribuir para esclarecer a causa do óbito e auxiliar na estimativa do risco de recorrência em futuras gestações.
Avaliação materna
Também podem ser necessários exames para investigar condições maternas associadas ao óbito fetal, como:
- Diabetes mellitus;
- Doenças da tireoide;
- Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide;
- Doenças autoimunes;
- Infecções específicas;
- Alterações hipertensivas da gestação;
- Outras condições clínicas, conforme a história de cada paciente.
A investigação de trombofilias hereditárias, por exemplo, não é indicada para todas as pacientes e deve ser realizada apenas quando houver indicação clínica.
Revisão da gestação
A análise dos exames realizados durante a gravidez também faz parte da investigação.
Ultrassonografias seriadas, avaliação do crescimento fetal, Doppler obstétrico, exames laboratoriais e demais informações do pré-natal ajudam a compreender a evolução da gestação e podem fornecer pistas importantes sobre a causa do óbito fetal.
Quando não encontramos uma resposta
Mesmo utilizando todos os recursos diagnósticos disponíveis, nem sempre é possível identificar a causa do óbito fetal.
Isso pode ser frustrante para a família, mas não significa, necessariamente, que exista um problema que irá se repetir.
Na verdade, muitas mulheres cuja investigação não identifica uma causa específica evoluem para uma gestação saudável na gravidez seguinte.
Encontrar uma resposta nem sempre é possível. Mas compreender a história da gestação, planejar os próximos passos e oferecer um acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença para que uma nova gravidez seja vivida com mais segurança e confiança.
Como a Medicina Fetal pode ajudar?
Na gestação após uma perda gestacional, a consulta em Medicina Fetal começa pela reconstrução cuidadosa da história obstétrica. Sempre que disponíveis, são analisados relatórios médicos, ultrassonografias, laudos anatomopatológicos, exames genéticos e demais informações da gestação anterior.
Essa avaliação permite identificar fatores que podem influenciar a gestação atual, definir quais exames realmente são necessários e estabelecer um plano de acompanhamento individualizado para cada paciente.
Mesmo quando a causa da perda permanece desconhecida, compreender o contexto da gestação anterior é fundamental para orientar as decisões ao longo da nova gravidez.
É possível reduzir os riscos em uma próxima gestação?
Na maioria das vezes, sim.
Embora nem todas as causas possam ser prevenidas, identificar fatores de risco permite planejar um acompanhamento mais cuidadoso.
Dependendo da causa do óbito anterior, a gestação seguinte pode incluir rastreamento precoce de pré-eclâmpsia, ultrassonografias seriadas para avaliação do crescimento fetal, Doppler obstétrico, ecocardiografia fetal, neurossonografia fetal e outros exames quando houver indicação.
Cada plano de acompanhamento deve ser individualizado, respeitando a história clínica e as necessidades de cada família.
Um novo começo merece segurança
Após um óbito fetal, é natural que uma nova gravidez seja vivida com medo, ansiedade e muitas dúvidas.
Embora nenhuma gestação seja completamente livre de riscos, compreender o que aconteceu anteriormente permite conduzir a próxima gravidez com muito mais informação e segurança.
Na Afeto Maringá, acreditamos que o cuidado vai muito além da realização de exames. Nosso compromisso é oferecer uma avaliação especializada, baseada nas melhores evidências científicas, aliando tecnologia, experiência e acolhimento para que cada família possa viver essa nova fase com mais segurança e confiança.
Porque compreender a história de uma gestação é o primeiro passo para cuidar da próxima de forma ainda mais individualizada.
Perguntas frequentes
Sempre é possível descobrir a causa do óbito fetal?
Não. Mesmo após uma investigação completa, alguns casos permanecem sem uma causa definida. Ainda assim, a avaliação é importante para identificar fatores de risco e orientar futuras gestações.
A placenta deve ser analisada?
Sempre que possível, sim. A análise anatomopatológica da placenta é uma das etapas mais importantes da investigação e pode fornecer informações valiosas sobre a causa do óbito fetal.
Quem teve um óbito fetal tem maior risco de acontecer novamente?
Depende da causa. Algumas condições apresentam maior risco de recorrência, enquanto outras representam eventos isolados. Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente.
A Medicina Fetal substitui o acompanhamento do obstetra?
Não. A Medicina Fetal atua de forma complementar ao pré-natal, colaborando com o obstetra na investigação, no diagnóstico precoce e no acompanhamento especializado da gestação.
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