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Trombofilia e gravidez: quando ela pode estar relacionada às complicações da gestação

Após uma perda gestacional, um óbito fetal ou outra complicação durante a gravidez, muitas mulheres iniciam uma investigação para tentar compreender o que aconteceu.

É nesse momento que surge uma dúvida muito frequente: a trombofilia pode ter sido a causa?

Em algumas pacientes, a investigação identifica uma trombofilia. Em outras, todos os exames são normais. Também existem situações em que a suspeita surge durante a gestação, principalmente quando aparecem complicações relacionadas ao funcionamento da placenta.

Independentemente do momento do diagnóstico, uma dúvida costuma ser comum a todas elas: como isso pode influenciar uma futura gravidez?

Compreender o papel da trombofilia e realizar uma avaliação individualizada são passos importantes para planejar uma nova gestação com mais segurança.

O que é trombofilia?

A trombofilia é uma condição que aumenta a tendência do organismo à formação de trombos (coágulos sanguíneos).

Ela pode ser classificada em dois grandes grupos:

Segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e a American Society of Hematology (ASH), nem todas as mulheres com trombofilia apresentarão complicações durante a gravidez. O risco depende do tipo de trombofilia, da história obstétrica e da presença de outros fatores maternos.

Como a trombofilia pode interferir na gestação?

Durante a gravidez, a placenta é responsável por fornecer oxigênio e nutrientes ao bebê.

Em algumas situações, alterações da coagulação podem comprometer a circulação útero-placentária, aumentando o risco de complicações como:

É importante destacar que essas complicações também podem ocorrer por diversos outros motivos. Por isso, a presença de trombofilia não significa, necessariamente, que ela seja a causa da complicação observada.

Toda perda gestacional está relacionada à trombofilia?

Não.

Esse é um dos maiores mitos sobre o tema.

Grande parte das perdas gestacionais do primeiro trimestre está relacionada a alterações cromossômicas do embrião e não às trombofilias.

Da mesma forma, muitas pacientes que apresentam restrição de crescimento fetal, pré-eclâmpsia ou óbito fetal não possuem nenhuma alteração da coagulação.

Por isso, a investigação deve ser individualizada e baseada na história clínica de cada paciente, evitando tanto exames desnecessários quanto deixar de investigar quando realmente existe indicação.

Quando pensar em trombofilia?

A investigação pode ser considerada quando existem antecedentes pessoais ou familiares sugestivos de trombofilia ou quando a gestação evolui com complicações que podem estar relacionadas ao comprometimento da circulação placentária.

Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando a história clínica, os exames já realizados e a evolução da gestação.

As principais sociedades médicas internacionais, como o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a American Society of Hematology (ASH), a American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e a European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE), recomendam que a investigação das trombofilias hereditárias seja direcionada às pacientes com indicação clínica, e não realizada de forma indiscriminada em todas as gestantes ou em todas as mulheres com perda gestacional.

Como a Medicina Fetal pode ajudar?

A Medicina Fetal desempenha um papel fundamental no acompanhamento das gestantes com trombofilia ou com histórico de complicações obstétricas relacionadas ao funcionamento da placenta.

Embora a trombofilia seja um importante fator de risco em algumas gestações, o acompanhamento da Medicina Fetal não se limita ao diagnóstico. O foco é avaliar continuamente o desenvolvimento do bebê, o funcionamento da placenta e identificar precocemente sinais de complicações que possam interferir na evolução da gravidez.

Mais do que realizar ultrassonografias, o especialista acompanha cuidadosamente o desenvolvimento fetal, avalia o crescimento do bebê e monitora a circulação materna, placentária e fetal ao longo de toda a gestação.

Dependendo da história clínica, esse acompanhamento pode incluir:

O objetivo é identificar precocemente possíveis alterações, acompanhar a evolução da placenta e do bebê e oferecer uma avaliação individualizada em cada etapa da gestação.

O Doppler obstétrico ajuda a monitorar a circulação entre a mãe, a placenta e o bebê ao longo da gestação. O Doppler obstétrico ajuda a monitorar a circulação entre a mãe, a placenta e o bebê ao longo da gestação. O Doppler obstétrico ajuda a monitorar a circulação entre a mãe, a placenta e o bebê ao longo da gestação. O Doppler obstétrico ajuda a monitorar a circulação entre a mãe, a placenta e o bebê ao longo da gestação.
O Doppler obstétrico ajuda a monitorar a circulação entre a mãe, a placenta e o bebê ao longo da gestação.

Uma nova gestação merece um planejamento individualizado

Muitas mulheres descobrem uma trombofilia apenas após vivenciarem uma perda gestacional, um óbito fetal, uma restrição de crescimento fetal ou uma pré-eclâmpsia.

Independentemente da causa da complicação anterior, uma nova gestação merece um acompanhamento especializado.

Revisar toda a história obstétrica, compreender os fatores de risco e acompanhar cuidadosamente o desenvolvimento do bebê permite conduzir essa gravidez com muito mais segurança e tranquilidade.

Mais do que um diagnóstico, um acompanhamento especializado

Ter trombofilia não define como será a sua gestação.

O que realmente faz diferença é compreender seus fatores de risco e acompanhar, de forma especializada, cada etapa do desenvolvimento do bebê.

Na Afeto Maringá, acompanhamos gestantes com trombofilia e histórico de complicações obstétricas de forma individualizada, utilizando protocolos atualizados de Medicina Fetal e ultrassonografia especializada para avaliar o desenvolvimento fetal, o funcionamento da placenta e a circulação materno-fetal durante toda a gravidez.

Nosso compromisso é oferecer um acompanhamento baseado nas melhores evidências científicas, aliado ao acolhimento e à segurança que cada família merece viver durante essa nova etapa.

Perguntas frequentes

1) Toda trombofilia causa complicações na gravidez?

Não. Muitas mulheres com trombofilia terão uma gestação completamente saudável. O risco depende do tipo de trombofilia, da história obstétrica e de outros fatores maternos.

2) Toda perda gestacional é causada por trombofilia?

Não. Alterações cromossômicas, doenças placentárias, malformações fetais, infecções congênitas e outras condições maternas também podem estar relacionadas às perdas gestacionais.

3) Quem tem trombofilia precisa de acompanhamento em Medicina Fetal?

O acompanhamento especializado pode ser especialmente importante para gestantes com trombofilia associada a antecedentes obstétricos relevantes, como perdas gestacionais, óbito fetal, restrição de crescimento fetal, pré-eclâmpsia ou outras complicações relacionadas ao funcionamento da placenta.

4) A Medicina Fetal substitui o pré-natal com o obstetra?

Não. A Medicina Fetal atua de forma complementar ao pré-natal, colaborando com o obstetra na avaliação do desenvolvimento fetal, da placenta e na identificação precoce de possíveis complicações.

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