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Perda gestacional: quais exames devem ser feitos?

Perder uma gestação é uma experiência extremamente dolorosa e, além do impacto emocional, costuma trazer muitas dúvidas. Uma das perguntas mais frequentes é: "Quais exames preciso fazer antes de tentar engravidar novamente?"

A resposta depende de diversos fatores, como a idade gestacional em que ocorreu a perda, os achados do ultrassom, o histórico obstétrico da paciente e a presença de doenças maternas.

Nem toda perda gestacional exige uma investigação extensa, mas uma avaliação individualizada pode identificar fatores tratáveis e ajudar no planejamento de uma futura gestação.

Neste artigo, você entenderá quais exames podem ser indicados, quando procurar um especialista em Medicina Fetal e como a investigação pode contribuir para uma gestação mais segura.

Toda perda gestacional precisa ser investigada?

Não.

Uma perda gestacional isolada, principalmente no primeiro trimestre, é relativamente comum e, na maioria das vezes, está relacionada a alterações cromossômicas ocasionais do embrião.

Segundo a American Society for Reproductive Medicine (ASRM), uma única perda gestacional precoce geralmente não justifica uma investigação extensa, pois costuma representar um evento esporádico.

Já quando há perdas recorrentes, óbito fetal, malformações fetais ou outros fatores de risco, a investigação passa a ser recomendada e deve ser individualizada.

O que pode causar uma perda gestacional?

Em muitos casos, não existe uma única causa. Diferentes fatores podem estar envolvidos.

Alterações cromossômicas

As alterações cromossômicas do embrião representam a principal causa das perdas gestacionais precoces.

Estima-se que 50 a 60% dos abortos espontâneos do primeiro trimestre sejam causados por alterações cromossômicas, principalmente aneuploidias, como trissomias, monossomia X e triploidias.

Na maioria das vezes, essas alterações acontecem de forma esporádica e não significam que exista uma doença genética hereditária no casal. O risco aumenta progressivamente com a idade materna.

Alterações da anatomia uterina

Algumas alterações podem dificultar a implantação do embrião ou o desenvolvimento da gestação, como:

Dependendo da suspeita clínica, exames como ultrassonografia tridimensional, histerossonografia ou histeroscopia podem ser indicados.

Alterações hormonais

Doenças hormonais também podem contribuir para perdas gestacionais, como diabetes mellitus mal controlado, alterações da tireoide e outras doenças endócrinas.

Quando identificadas, essas condições podem ser tratadas antes ou durante uma nova gestação.

Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide

A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma das principais causas tratáveis de perda gestacional recorrente.

Sua investigação faz parte da avaliação de muitas pacientes com histórico de perdas repetidas.

Trombofilias

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, nem toda mulher com perda gestacional precisa investigar trombofilias hereditárias.

As diretrizes da ESHRE e da ASRM recomendam que esses exames sejam solicitados apenas em situações específicas, evitando tratamentos desnecessários e sem benefício comprovado.

Infecções

As infecções raramente são responsáveis por perdas gestacionais recorrentes.

Por isso, sua investigação não faz parte da rotina de todas as pacientes, sendo indicada apenas quando existem sinais clínicos, laboratoriais ou ultrassonográficos que sugiram essa possibilidade.

Quais exames podem ser necessários?

A investigação deve ser individualizada. Nem toda paciente precisa realizar todos os exames.

Dependendo da história clínica, podem ser indicados:

Avaliação genética do material da gestação

Sempre que possível, a análise genética do material da gestação é uma das informações mais importantes da investigação.

Segundo a ASRM, esse exame pode identificar alterações cromossômicas responsáveis pela perda e direcionar de forma mais precisa o planejamento de futuras gestações.

Podem ser realizados exames como cariótipo, microarray cromossômico ou testes moleculares, conforme cada caso.

Cariótipo do casal

Em alguns casais, alterações cromossômicas equilibradas podem aumentar o risco de perdas gestacionais.

Nessas situações, o cariótipo dos pais pode ser indicado.

Ultrassonografia especializada

A ultrassonografia permite avaliar possíveis alterações da anatomia uterina e identificar condições que podem estar relacionadas às perdas gestacionais.

Quando necessário, exames complementares como ultrassonografia tridimensional, histerossonografia ou histeroscopia podem fazer parte da investigação.

Exames laboratoriais

Podem ser solicitados exames para avaliação hormonal, função tireoidiana, diabetes e pesquisa para Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide, além de outros exames específicos conforme cada caso.

Pesquisa de infecções

Quando existem achados sugestivos, também podem ser indicados exames para investigação de infecções congênitas.

A placenta também pode fornecer informações importantes?

Sim.

Sempre que possível, a análise anatomopatológica da placenta pode fornecer informações importantes sobre a causa da perda gestacional.

Alterações vasculares, inflamatórias ou infecciosas podem auxiliar no planejamento de uma futura gravidez e direcionar o acompanhamento da próxima gestação.

Quando procurar um especialista em Medicina Fetal?

Uma consulta especializada é recomendada principalmente quando houve:

As diretrizes da ASRM e da ESHRE recomendam que pacientes com perdas gestacionais recorrentes sejam avaliadas de forma individualizada, considerando a história clínica, os exames anteriores e os fatores de risco de cada casal.

Como a Medicina Fetal pode ajudar?

A consulta em Medicina Fetal permite uma avaliação completa da história obstétrica e dos exames já realizados.

Além da realização de uma ultrassonografia detalhada quando indicada, podem ser discutidas as indicações de exames complementares, como ecocardiografia fetal, neurossonografia fetal, NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) e, quando necessário, procedimentos diagnósticos como a amniocentese.

Cada investigação é planejada de forma individualizada, baseada nas melhores evidências científicas disponíveis e nas necessidades de cada gestação.

É possível ter uma gestação saudável após uma perda?

Sim.

Mesmo quando nenhuma causa é identificada, muitas mulheres conseguem evoluir para uma gestação saudável.

O mais importante é realizar uma investigação criteriosa quando indicada, tratar fatores modificáveis e planejar adequadamente a próxima gravidez.

Acompanhamento especializado faz diferença

Após uma perda gestacional, uma nova gravidez costuma ser vivida com sentimentos mistos de esperança e insegurança.

Na Afeto Maringá, acreditamos que cada gestação merece um acompanhamento individualizado. Utilizamos protocolos atualizados, ultrassonografia especializada e avaliação cuidadosa em todas as fases da gravidez.

Nosso objetivo é identificar precocemente possíveis fatores de risco, minimizar complicações sempre que possível e oferecer mais segurança, confiança e tranquilidade para que você viva essa nova etapa com o suporte que merece.

Depois de uma perda gestacional, recomeçar pode ser desafiador. Um acompanhamento especializado oferece mais segurança para viver cada etapa da nova gravidez.
Depois de uma perda gestacional, recomeçar pode ser desafiador. Um acompanhamento especializado oferece mais segurança para viver cada etapa da nova gravidez.

Perguntas frequentes

1) Toda mulher que perde um bebê precisa fazer exames?

Não. A necessidade de investigação depende da idade gestacional da perda, do histórico obstétrico e dos achados clínicos.

2) A análise genética do material da gestação é importante?

Sempre que possível, sim. Ela pode identificar alterações cromossômicas responsáveis pela perda e orientar futuras gestações.

3) Toda perda gestacional é causada por trombofilia?

Não. A investigação de trombofilias deve ser individualizada e não é indicada para todas as pacientes.

4) Depois de uma perda gestacional posso engravidar novamente?

Na maioria dos casos, sim. O momento ideal depende da causa da perda e da recuperação física e emocional da mulher.

Referências

Faz parte da trilha Depois de uma perda: cuidado e recomeço
Próximo na trilhaÓbito fetal: é possível descobrir a causa e reduzir os riscos em uma próxima gestação?

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